12 de julho de 2017

Planejar ou prototipar?

Ser um agente de inovação e empreendedorismo. Esse é o propósito do chamado Design Thinking (DT), metodologia na qual as empresas passam a desenvolver seus produtos com base no desejo e necessidade das pessoas para somente depois testar e lançar no mercado. O DT foi popularizado pela empresa americana de Design e Inovação IDEO, de Palo Alto, na Califórnia, região hoje conhecida como o Vale do Silício por abrigar boa parte das empresas de tecnologia mais inovadoras do mundo, e é utilizado sobretudo nas áreas de TI, Marketing e na modelagem de novos negócios.

Para Caroline Bucker, consultora de estratégia, co-fundadora do Coletivo Thinkers POA e especialista em Design Thinking, a estratégia não só mudou a forma das empresas desenvolverem seus produtos como também diminuiu os custos no processo de criação. “Antes as organizações criavam algo que queriam e então iam para o mercado lançar e isso exigia um investimento alto em marketing e trade. O resultado é percebido pelas pessoas que se envolvem no processo, pela maior integração, engajamento e agilidade. Ela beneficia a todos. Reduz custos, gera agilidade, compreensão e maior ajuste ao ser humano”, revelou.

Caroline trabalha com projetos voltados à aplicação de metodologias criativas e, no caso do Design Thinking, considera algumas fases importantes para que se gere resultados. “Existem diferentes visões a respeito, mas eu gosto de simplificar e trabalhar em quatro etapas básicas: empatia; definição do problema/desafio; ideação criativa e prototipagem”, afirma.

A primeira serve para conhecer melhor o objeto que será o foco de todo o processo criativo. A partir dela, se chega ao principal problema enfrentado em relação ao que foi proposto. Em seguida, a ideação criativa proporciona uma divergência colaborativa para a solução dos problemas e, a partir daí, as melhores ideias são selecionadas para realizar a prototipagem, determinante para o resultado final. “Essa etapa final é muito relevante, pois ataca em cheio a premissa de que tudo o que criamos no papel é perfeito. Precisamos testar na prática e envolver diferentes pessoas, com diferentes perfis, para observar se o que criamos é realmente bom e desejado”, afirma. A prototipagem consiste, basicamente, na criação de pequenos experimentos para se testar um conceito ou produto.

Quando começou a ministrar cursos no exterior, Caroline revelou que teve que se ajustar a cultura local como uma forma de empatia na prática do Design Thinking. "Além de gerar novos pontos de vista, proporcionou a construção de um novo aprendizado a respeito do mesmo tema. Foi como expandir a consciência das possibilidades e da forma de aplicar”.

Nos EUA e na Europa, especialmente na Holanda, a metodologia vem sendo muito utilizada em empresas e, principalmente, na educação. Universidades e escolas por lá vêm implantando processos baseados em Design Thinking para gerar novos formatos de ensino e aprendizagem, enquanto que, no Brasil, o uso dessa metodologia anda a passos lentos. “Vejo que o Brasil deveria confiar e praticar mais a metodologia, pois ela leva a uma maior confiança nos colegas, a atitudes mais colaborativas e criativas, aprofundamento nas pesquisas e maior resiliência para testes e ajustes. Existe um enorme potencial a ser utilizado e isso ainda está acontecendo de uma forma muito tímida”, disse Caroline.

Para os empreendedores, a ferramenta é importante no sentido de incentivar uma atitude mais pró-ativa, mais criativa e colaborativa. “No Brasil, os formatos de educação dos quais emergimos não preveem e não estimulam essa visão e atitude. Precisamos acelerar isso. Estamos já atrasados e isso não exige custos, mas sim vontade de realizar. Acredito que a ferramenta pode se tornar um grande apoio para uma transformação”, ponderou.

De um modo geral, para que o DT seja sinônimo de sucesso nas empresas, é preciso agir para entender o mercado e as pessoas, criar soluções, testar produtos e integrar equipes. “Para colocar em ação, precisamos olhar com atenção para as premissas do modelo escolar (tanto escolas como universidades, e até mesmo empresas), onde as pessoas recebem passivamente um determinado conhecimento. Precisamos criar espaço e situações para que as pessoas aprendam a agir de uma forma mais ativa. Confiar nas pessoas, testar, capacitar, testar de novo, praticar, praticar e praticar”, afirma.

 

Mas afinal, planejar ou prototipar?

“Ambos. Precisamos planejar, pesquisar, colaborar e prototipar. Uma etapa sozinha não gera a transformação necessária. Precisamos de todas, assim como precisamos de um maior número de competências complementares inseridas no processo. Uma gama maior de visões gera mais oportunidades sempre. Só temos que aprender a lidar bem com isso”.

Caroline Bucker, consultora de estratégia, co-fundadora do Coletivo Thinkers POA e especialista em Design Thinking.

Fonte: Giovanni Porfírio | PARAR Fleet Review 11ª Edição
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