Em qualquer cenário, o futuro seria incerto. Seja sobre o mercado do setor automobilístico ou sobre as tendências de comportamento, a dúvida sobre aquilo que ainda nos aguarda é uma constante. Não dá para fugir dela, mas é certo que podemos nos planejar com base no que temos observado. O anuário da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA) é um excelente ponto de partida para esse exercício.
Esse material (que está disponível no site ABLA) traz um conjunto muito rico de informações, não só para quem está diretamente envolvido com o mercado de locações, mas também para profissionais de todo setor automobilístico. Afinal, depois de um ano como 2020, é normal que nos perguntemos ansiosos: o que o futuro está planejando para o setor automobilístico?
Antes de mais nada…
Retomando os resultados do ano passado, conferimos no relatório os números gerais do setor em paralelo com os do setor de locação.
Tivemos a produção de 1.904.714 automóveis e comerciais leves, 32,06% a menos em relação a 2019 (2.803.841). O emplacamento também ficou em baixa para essa mesma categoria, com 1.747.145, 26,31% a menos em relação ao ano passado, sendo 20,63% de participação do setor do setor de aluguéis.
Mesmo com a queda, o resultado tem o seu mérito. “Chegamos a esperar por redução mais expressiva, de 35,8% quando fechamos o primeiro trimestre” aponta Alarico Assumpção Júnior, presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, FENABRAVE
Faturamento bruto
O faturamento bruto também caiu em relação ao ano passado, sendo 17,6 bilhões contra 21,8 bi do ano anterior. Foi um dado marcante tendo em vista a alta de xx% que 2020 teve em relação a seus dois últimos anos, que tiveram por sua vez uma média de 15,4 bi.
Número de locadoras
O número de locadoras no país também caiu, acompanhando a tendência de queda desde 2016, passando dessa vez de 1.970 em locadoras em 2019 para 1.893.
Market Share
A terceirização de frotas seguiu, proporcionalmente, com os mesmos 52% de 2020. O turismo de negócios caiu para 16% contra 22% do período anterior. Em contrapartida, o turismo de negócios passou a representar 34%.
Opinião dos especialistas
Em alguns casos, o desejo pelo transporte individual gerou uma demanda que até agora, se encontra não suprida, tendo em vista a baixa produção e até mesmo suspensão de algumas fábricas no país. Esse é o parecer de Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças.
Esse movimento pode representar uma lacuna a ser explorada pelas locadoras, aponta o analista de mercado de capitais do BBI, Victor Mizusaki. Ele destaca que a adaptação de preços para responder a esse anseio do mercado, pode ser uma boa saída para as locadoras em tempos de crise. A FENABRAVE também prevê um crescimento global de 16,6% neste ano,
Ou seja, apesar dos sustos que o primeiro trimestre nos deu, ainda é muito cedo para tirar conclusões de como será o decorrer do ano. O fato é que por mais lento que seja o seu ritmo, a imunização já está acontecendo, e comparado ao ano passado, estamos progredindo.