“Por driblar os problemas urbanos contemporâneos, demanda por aplicativos de delivery cresce no Brasil”

A internet e os problemas urbanos, sobretudo os de mobilidade, criaram uma demanda por serviços de delivery que proporcionem comodidade e segurança. Este nicho de mercado em expansão contempla variadas categorias de serviços. Segundo uma pesquisa do Instituto Ipsos de 2017, 42% dos pedidos de entrega de alimentos no Brasil são efetuadas por meio de plataformas digitais. Já de acordo com uma pesquisa da BOX1824 de 2018, os consumidores querem otimizar o tempo ao valorizar a experiências gastronômica com rapidez e praticidade.
Esta nova realidade do delivery, associado às novas tecnologias digitais, faz parte de uma nova economia presente na “Era do Delivery”. De acordo com Simone Ceretta*, especialista em marketing e mestre em desenvolvimento, o consumidor leva em conta os benefícios, a experiência de compra e o valor agregado ao escolher um serviço. O crescimento dos aplicativos de delivery é resultado da internet e das redes sociais, as quais acompanham as mudanças de hábitos e costumes do consumidor. O ritmo de vida frenético cria uma demanda por produtos que facilitem o dia-a-dia.
Com a internet, as pessoas tornam-se cada vez mais isoladas. A preferência é por ficar em casa e interagir somente pela tela de notebooks, smartphones e tablets. “Não possuem tempo para fazer refeições – mudança provocada especialmente pelo ingresso da mulher no mercado de trabalho. O tempo que sobra é para aproveitar seus lares”. Este comportamento fica mais evidente nas gerações mais jovens, identificadas como Geração Z – “os nativos digitais, cuja relação com o tempo é diferente, é on-line”, exemplifica a especialista.
Fernando Vilela, Head de Marketing da Rappi no Brasil, conta que o serviço ofertado por eles nasceu da necessidade do consumidor em driblar os problemas de mobilidade das cidades. Por meio da união entre varejo, consumidor e pessoas que desejam empreender, o aplicativo visa poupar o tempo de quem “até poderia ir a um restaurante ou supermercado, mas opta por ficar com a família, ficar com os amigos e fazer qualquer outra coisa: um hobby ou outro tipo de lazer”, afirma.
A Rappi é um serviço de delivery que se propõe a entregar “qualquer coisa”. Com o aplicativo da Rappi, o usuário pode comprar e receber alimentos, produtos de beleza e solicitar a entrega de pertences ou encomendas. Disponível efetivamente no Brasil desde janeiro de 2018, atualmente, a Rappi atente em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Campinas, Ribeirão Preto, São José, Recife, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Goiânia, Brasília, com operação abrindo em João Pessoa.
O Head de Marketing da Rappi compara o mercado de delivery no país com os países desenvolvidos, como os EUA. De acordo com ele, “o e-commerce no Brasil é dependente do varejo tradicional. Ao mesmo tempo em que se tem cada vez mais os centros urbanos se expandindo, a jornada de trabalho aumenta e o trânsito piora. Esses fatores aliados favorecem o mercado de delivery”, explica.
Simone Ceretta elenca pontos positivos sobre os aplicativos de delivery, como: a redução de custos; a rapidez; a oportunidade de fazer escolhas; a oferta de descontos; evitar o trânsito; e os novos modais, como patinetes e bikes, que contribuem para a diminuição de poluentes. Alguns pontos negativos que precisam receber atenção das empresas são: os consumidores podem não ter o conhecimento necessário para utilizar os aplicativos – como é o caso das gerações mais antigas; desconfiança sobre o funcionamento e de que a entrega realmente será feita; e experiências negativas.
“Um dos principais motivos do cliente preferir o delivery é a economia de tempo, de gasolina e com estacionamento, elementos ligados à mobilidade urbana. Isso ocorre essencialmente nas grandes cidades, onde, além disso, ocorre o problema social da violência. Nas pequenas cidades, este não seria um motivo tão preponderante, mas o tempo de deslocamento é muito relevante para a decisão de compra das pessoas”, explica Simone Ceretta.
De acordo com o gerente de tecnologia em logística Fernando Martins, do iFood Brasil, o serviço se estabeleceu como marca no mercado de food delivery no país a partir de 2011. Um dos principais diferenciais é o delivery de comida com agilidade. “Hoje oferecemos mais de 30 tipos de culinária. Esse tipo de oferta só traz comodidade. Conseguimos oferecer café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e lanche da madrugada – todo tipo de culinária que você encontrar na rua você vai encontrar no iFood”, destaca.
Pioneiro no Brasil neste segmento, a mudança de hábito dos consumidores foi um desafio. “Um dos nossos concorrentes é o fogão”, brinca Martins, quando comenta sobre a cultura do brasileiro de fazer grandes compras e estocar alimentos na geladeira, o que para ele, atualmente, não é mais necessário. “Em uma família tradicional, a mãe e o pai buscam os filhos no colégio, no caminho de casa pedem um iFood e quando chegam ao destino já está tudo pronto”, exemplifica. O iFood conta hoje com 10 milhões de usuários e 14 milhões de pedidos por mês espalhados em mais de 480 cidades em todo o Brasil.
A mobilidade nas grandes cidades e a adoção de novos modais são assuntos que recebem atenção especial da área de criação e logística do iFood, seja para atender àquelas pessoas que não desejam sair de casa por contra do trânsito ou pela segurança. Além da moto e das bikes, as patinetes e as bicicletas elétricas estão em fase de testes. O objetivo é adaptar as especificidades de cada modal ao dia-a-dia, de maneira que se complementem. “De forma pioneira no mercado brasileiro, nós vemos um resultado atrativo. Estamos otimistas com os testes. A patinete aqui em São Paulo (SP) traz benefícios reais à logística do iFood”, conta.
A patinete, por exemplo, representa um ganho considerável no tempo de entrega em vias planas, como na Avenida Paulista, onde testes foram realizados. Por ser leve, dobrável e poder andar em ciclovias, “gera um benefício para o entregador, para o cliente final e para o restaurante que está preocupado se a comida vai chegar rápido”, comenta Martins. Dessa maneira, o aplicativo de delivery democratiza a forma de entrega, ao permitir que pessoas sem CNH ou universitários possam integrar o time de entregadores iFood.
💡Guilherme Popolin
*Simone Beatriz Nunes Ceretta é especialista em marketing e mestre em desenvolvimento. É professora de administração do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha (IFFAR) – Campus Santo Augusto, atuando na área do marketing, empreendedorismo, comportamento do consumidor, vendas e atendimento ao cliente. É pesquisadora do Grupo de Pesquisas em Organizações, Estratégia e Trabalho do CNPq/ IFFAR.