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[ENTREVISTA] Presença é mais importante que presente – Marcos Piangers

PARAR: Como é a sua rotina de trabalho? Quanto tempo, em média, você gasta por semana trabalhando? Em que horários do dia?

MARCOS PIANGERS: Acho que essa é uma pergunta bastante interessante como ponto de partida para refletir sobre a reconfiguração profissional, a reconfiguração do trabalho, a reconfiguração do emprego frente às revoluções digitais. Hoje em dia, o trabalho coexiste com momentos de prazer, momentos familiares e com as nossas necessidades de alimentação e sono. Então, é interessante ver como uma pergunta como essa traz implícita a noção estanque do trabalho, a noção de um trabalho daquela construção social um pouco mais antiga em que você trabalhava oito horas, descansava oito horas e tinha oito horas de lazer no seu dia.

Hoje, a gente não tem mais um período de trabalho, e mesmo para funcionários de empresas mais modernas são oferecidos horários autônomos, diversos, diferentes, livres… Muitas empresas trabalham sem de controle de férias. Você pode tirar os dias de férias que quiser, você pode chegar no horário que quiser e muitas empresas também trabalham com a realidade da descentralização, na qual você pode trabalhar de qualquer lugar, na varanda da sua casa, do seu escritório e aí eu acho que vai um pouco além do Home Office, que já é um conceito bastante conhecido, mas ele chega em uma ideia de empresas descentralizadas mesmo, na noção de que os funcionários estão espalhados pelo mundo todo e a empresa não tem mais escritório físico. Todo mundo se encontra digitalmente.

E são muitas as empresas que hoje em dia operam assim. Alguns exemplos são o GitHub, o Mozilla que faz o Firefox, o Buffer, o Base Camp, cujos fundadores inclusive têm um livro sobre isso, sobre a revolução no ambiente de trabalho. Mesmo empresas que entendem que o trabalho é algo mais tradicional (do ponto de vista do empregador e do empregado), entendem que o empregado pode ter autonomia de espaço, de horário, e autonomia para tomar decisões.

Minha rotina de trabalho é misturada com a minha vida. Hoje, eu trabalho o tempo todo, assim como eu me divirto o tempo todo e como eu relaxo e descanso o tempo todo. Eu curto a minha família e ao mesmo tempo consigo realizar tudo aquilo que eu preciso para não só satisfazer um empregador, mas também me satisfazer como realizador. Já trabalhei em empresas de mídia tradicional, cuidei de licenciamento, redes sociais, aplicativos, toda a área de inovação. E aí me desliguei dessas empresas para poder focar no meu trabalho, no meu dia a dia. Minha rotina de trabalho é estar o tempo todo produzindo conteúdo dos textos, vídeos, viajando bastante, fazendo eventos, e ao mesmo tempo tentando equilibrar o tempo com a minha família, né? O tempo que eu passo com as minhas duas pequenas, Anitta e Aurora.

PARAR: Você fala bastante da importância de pais estarem presentes na vida dos filhos, mas sua carreira, naturalmente, exige que você viaje bastante. Como você equilibra as duas coisas? Que fatores leva em consideração para escolher um novo projeto?

MARCOS PIANGERS: O meu critério para escolher projetos é bem simples. A gente tem dois critérios: eu tenho uma missão na minha vida que é aproximar pais e filhos, esse é o primeiro critério de projeto. O outro é se a empresa com quem estou me relacionando tem algum tipo de contrapartida social, faz algum bem pelo mundo, cuida de crianças em fragilidade social, permite licença-paternidade estendida, entende que é importante uma licença-paternidade ou uma licença parental compartilhada. Esses dois critérios são os mais importantes para optar por um novo projeto.

Na questão de viagem e tempo com a família, a gente tenta levar a família junto em todas as viagens que permitem. Então, esse ano a gente já foi para Portugal, para Bonito (MS), para Fortaleza… sempre que tem um evento para fazer em qualquer um desses lugares, que são também lugares child friendly (que aceitam crianças), e que funcionaria bem levar minha família, a gente sempre tenta fazer isso. No passado, também tive alguns eventos em Portugal e a gente pôde ir junto, alugamos até um motorhome para conhecer as praias. Fomos para Londres também, aproveitando um evento que eu tinha lá.

Eu sempre tenho que estar perto delas (das filhas), seja em casa ou quando eu faço os eventos. Claro que, em diversos momentos, eu não consigo levá-las, mas a gente sempre tenta, eu e minha equipe, equilibrar o que é tempo com a família e o tempo sem a família. Tempo sem a família é muito doído, muito preocupante e me tira totalmente a energia. E tempo com a família é o contrário: me dá energia, me dá disposição e, inclusive, me abastece de ideias, de conteúdo e de informação para levar para as pessoas nas palestras.

PARAR: Qual é a licença-paternidade ideal para o mercado de trabalho brasileiro? Por quê?

MARCOS PIANGERS: A licença-paternidade ideal para qualquer mercado de trabalho seria uma licença-paternidade compartilhada. Portanto, uma que não se chamasse licença-paternidade, mas licença parental e, de preferência, de mais de 3 meses. Porque, o que acontece: Se você tem uma licença parental, ela dá ao homem a noção de que ele precisa também participar. Quando você tem no Brasil uma licença-paternidade de 5 dias e uma de maternidade de 4 a 6 meses, cria-se um super contrassenso. Primeiro, a mãe é incentivada a amamentar até os 6 meses e tem a licença só de quatro. Segundo, o pai é claramente colocado em segundo plano, como uma figura cuidadora que não tem tanta relevância, quando, na verdade, qualquer pessoa que tem filho, hoje, sabe que o homem tem profunda relevância na criação do filho. As pesquisas científicas reforçam isso. E que, para a mulher, é fundamental ter um cuidador ao lado, ter um apoiador para esse momento – especialmente nos primeiros meses que são tão complicados.

Algumas empresas têm dado um mês de licença-paternidade, empresa cidadã dá 20 dias, outras empresas têm dado 2 meses de licença-paternidade – um mês depois que nasce o filho e um mês depois que a mulher volta ao trabalho e isso é muito interessante, também. Então, você percebe que a mulher pode voltar ao trabalho de forma muito mais fácil, mais calma, porque sabe que o marido vai estar cuidando do bebê. É importante nesses primeiros meses também o homem ter esse contato com bebê para criar vínculo e criar afetos. A aproximação com o filho é fundamental lá na frente. Todas as pesquisas mostram que um homem que passa esse tempo de licença parental próximo dos filhos se mantém conectado com os filhos por toda vida. As esposas de pais que saem em licença-paternidade tem uma média salarial maior. Isso diminui o gap salarial de homens e mulheres, porque a mulher tem condição de aceitar promoções, de viajar, porque sabe que o marido está ali cuidando das crianças. Filhos com pais presentes vão melhor na escola, são mais sociáveis.

Esse dinheiro que a gente gasta com licença-paternidade, no primeiro momento, parece um dinheiro muito grande e um custo alto para produtividade do país, mas lá na frente a gente recupera isso com crianças muito mais equilibradas que se saem melhor na escola e que produzem muito mais. Então a gente vê países que têm licença-paternidade estendida como Noruega, Finlândia, Islândia, Dinamarca, Suécia… todos eles estão no topo do ranking dos países mais felizes do mundo. Eles estão no topo dos países mais inovadores do mundo e no dos mais produtivos do mundo também. A Noruega é o segundo país mais produtivo do mundo e tem uma licença-paternidade muito grande. A Suécia dá uma licença-paternidade de 90 dias exclusivos para o pai e 480 dias de licença parental para os dois combinarem quanto tempo a mãe vai sair, quanto tempo o pai vai sair. Então, olha, você pode ficar mais de um ano com seu filho, formando essa criança. E aí, a consequência disso: a Suécia é hoje o quinto país mais feliz do mundo, é o segundo país mais inovador do mundo, é o décimo país mais produtivo do mundo. Você começa a ver que isso se paga lá na frente com uma sociedade muito mais igual, muito mais equilibrada.

A licença-paternidade ideal para qualquer mercado de trabalho do mundo seria uma licença-paternidade estendida com muitos dias para o pai ter tranquilidade e auxiliar a mãe nesse momento tão importante e de criar vínculo com seu filho, formando então uma criança mais preparada para o futuro escolar e profissional.

O que muitos empregadores questionam é justamente esse custo econômico. Acredito que, no primeiro momento, a gente tem que discutir como fazer isso. E não vejo nenhum problema em fazer isso de forma gradativa.

PARAR: Você é um ávido consumidor de pesquisas. Quais as principais diferenças entre famílias que têm uma forte presença dos pais (pelo menos um dos pais presentes ou algum familiar próximo) e de famílias que crescem sem uma ou mais referências paternas dentro de casa?

MARCOS PIANGERS: Algumas dessas eu já citei. Pais presentes ficam mais conectados a vida toda, têm filhos com maior noção de masculinidade, filhos que, consequentemente, por ter o pai participando na criação, também vão ser pais participativos… Ou seja, se cria um ciclo virtuoso, um ciclo muito positivo.

E aí, do outro lado, a gente vê o impacto de pais ausentes. A gente vive no Brasil, um país com 20 milhões de mães solteiras, segundo Agência Brasil, ou 5,5 milhões de crianças sem o nome do pai na certidão de nascimento. Esse número deve crescer porque 61% dos partos pelo SUS no Rio de Janeiro são de mães solteiras, 70% dos partos em Manaus são também mães solteiras. A média Nacional é de 42% dos partos no SUS sem o nome do pai na certidão de nascimento. Isso é muito assustador! E só muda com políticas públicas.

Se você pegar um local como os países nórdicos, por exemplo, a Suécia, em 1974, lançou uma campanha unificando licença-maternidade e licença-paternidade. Passou a se chamar licença parental. Eles chamaram grandes atletas suecos para serem garotos-propaganda dessa campanha e isso significou, depois de muitos e muitos anos, que hoje 90% dos pais tiram licença-paternidade – esses 90 dias exclusivos para o homem.

É muito especial ver como como um país consegue recuperar esse gap uma geração depois. Um país que investiu na primeira infância, em cuidado com a criança, vai recuperar esse gap e vai ter um jovem muito mais preparado para o mercado de trabalho e vão ter jovens que se envolvem menos com drogas, com crime… há pesquisas que indicam que pais ausentes refletem crianças com pior desempenho escolar e social, garotos com uma chance maior de se envolverem com crime e com droga; meninas com maior chance de começar uma vida sexual precocemente e engravidarem na adolescência. Então, é fundamental a gente realmente rediscutir a presença do pai na família brasileira.

PARAR: Quando as suas filhas perguntam para você qual é o seu trabalho, como você explica? Qual é a importância do seu trabalho na vida delas?

MARCOS PIANGERS: Eu explico que eu inspiro pessoas. A minha filha, esses dias, veio com uma nova definição. Estavam perguntando isso para ela e ela disse “meu pai tem o trabalho dele, focado em inovação e tecnologia, mas, no tempo livre, ele ajuda outros pais a serem melhores”. Eu acho que é uma boa definição.

Sempre que uma criança pergunta “por que que você tem que trabalhar?”, eu acho que a pior resposta que a gente pode dar é “para pagar conta, para comprar coisas”. Porque daí você está ensinando para o seu filho que a vida é nascer, crescer, pagar conta e morrer. E eu tento dizer sempre para elas quando elas perguntam “por que você vai viajar?”, eu digo que eu vou mudar a vida de algumas pessoas. Que vou eu vou inspirar algumas pessoas. Que eu vou aprender, ouvir histórias, vou ajudar outras famílias. Isso tem um impacto nelas, no sentido de que elas percebem o trabalho como algo que tem propósito e não como algo que serve só para pagar conta. Eu cansei de ouvir histórias de pais que dizem para os filhos “ah, para comprar brinquedos” e os filhos responderem “ah pai, então não quero brinquedo, eu não quero que você vá trabalhar. Eu quero você aqui”.

A própria criança percebe que a presença é mais importante que o presente. E aí a gente tem que entender que aquilo que a gente faz tem um propósito, que muda vidas, que a gente tem orgulho do nosso trabalho. Se não tem propósito, a gente deveria trocar de trabalho, até para ter um trabalho mais inspirador para os nossos filhos. Para ensinar, na prática, como é importante ter um propósito na vida.

PARAR: Às vezes não dá tempo de participar de tudo na vida dos filhos. Se for necessário escolher, o que você prioriza? Ex. almoçar em casa, participar da reunião da escola, ir às festinhas do final de semana, levar à escola, etc.? O que, na sua opinião, não pode faltar de jeito nenhum?

MARCOS PIANGERS: Não, cara, eu acho que você tem que botar a família e o tempo em família como prioridade. Como é que funciona? Você tem uma lista de prioridades, coisas que você precisa fazer na sua vida, certo? Se a família está em primeiro lugar, o primeiro ponto é que os seus colegas e o seu chefe entendam que agora você é pai. E que você ser pai não significa que você vai ser menos produtivo. Pelo contrário, você vai ser mais eficaz porque você vai focar no resultado. Mas, você também tem que explicar que agora você não vai ter mais tempo para ficar nos churrascos, ou nos happy hours, todo dia tomando cerveja no final do expediente ou em reuniões longas que não chegam a lugar nenhum. Você, agora, tem uma pessoa para quem dedicar o seu tempo.

Nesse sentido, a maioria das pessoas tem medo de tomar essa atitude e de deixar claro sua prioridade familiar. Mas isso é positivo profissionalmente, porque as pessoas começam a respeitar o seu tempo e você não é mais chamado para reuniões ineficazes. Você não é mais chamado para fazer encontros que não vão chegar a lugar nenhum. Quando uma pessoa desrespeita o seu tempo, ela está desrespeitando o tempo do seu filho…. Então, você começa a ficar muito mais criterioso e isso te traz produtividade. Você perde menos tempo, você produz mais e aí você tem tempo de almoçar ou jantar em casa, de estar junto com seus filhos em reuniões escolares, levando no médico e tudo mais. Acho que é importante que isso fique bem claro para que você não participe só de um momento, tipo “eu levo na escola” ou “eu participo da reunião escolar, deixa comigo”… porque isso também restringe a sua participação.

O importante é o equilíbrio, uma sensação de que o seu filho está satisfeito com a sua presença, com o equilíbrio entre presença e ausência. Sua esposa está satisfeita com isso também. Porque a família só é feliz se todo mundo naquela família for feliz. A família é tão feliz quanto as pessoas que compõem aquela família. Então, é importante que isso esteja bem alinhado, porque se a sua esposa está insatisfeita e seu filho está insatisfeito, não adianta você levar ele nas festinhas no final de semana. É mais importante você curar essa dor crescente na sua família, senão, você vai perder sua família.

O que não pode faltar de jeito nenhum? Bom, eu gosto muito do momento da noite, de botar para dormir e de contar história. Eu gosto muito também de levar elas para escola, para poder ir conversando e conhecendo mais elas, né? Eu acho que é muito importante o tempo exclusivo com cada um dos filhos – preparar um almoço para você só com um filho e um outro almoço, um outro jantar ou um outro passeio por semana que você vê só o outro filho. Que é ali na solidão, quando estão só vocês, que eles vão se abrir e realmente falar aquilo que eles estão passando e sentindo.

PARAR: Quais as principais diferenças de criação entre as gerações anteriores e os pais de agora? O que passou a ser valorizado?

MARCOS PIANGERS: As diferenças têm a ver com abundância e escassez. A gente, antes, tinha muita escassez. Com exceção das famílias mais abastadas, a maioria das famílias tinham muita dificuldade de ter videogame, iogurte, férias na Disney, esse tipo de coisa. Hoje em dia, a gente tem mais acesso a isso, tem muito mais famílias tendo acesso a smartphone, internet, alimentação mais cara, diferente… Poxa, nas gerações anteriores tomar uma Coca-Cola era só no almoço de domingo. Hoje todo mundo toma Coca-Cola o tempo todo. Essa noção de abundância e de escassez também é interessante porque, como a abundância é algo novo, eu acredito que a gente está meio embebedado por ela. Acha-se que tudo é abundância e tudo é consumo. A gente tinha uma dificuldade para trocar de carro a cada ano, nos anos 80. E hoje tem muitas famílias que trocam de carro todo ano ou de dois em dois anos.

Isso significa que essa abundância nos gerou também uma necessidade de estar sempre consumindo. E se a gente está sempre consumindo, a gente tem que estar sempre trabalhando. E se a gente tem que estar sempre trabalhando, a gente não está com os nossos filhos. E quando a gente não tá com os nossos filhos, alguém tem que estar com eles. E aí é a babá, que também é consumo.

Você tem que pagar pela babá ou então pela babá mais barata que já inventaram: celular, YouTube, Netflix. E aí vem mais um problema porque o seu filho fica viciado em tecnologia, em videogame e YouTube. No fim, você está criando uma geração com dificuldade de aprendizado, dificuldade de empatia, de olho no olho… E todas as pesquisas mostram que elas (as tecnologias) não são saudáveis para crianças com menos de 2 anos e com mais de dois anos deveria ter um cuidador do lado para avaliar o conteúdo consumido. Então, é bem preocupante e assustador essa geração que está embebedada pela abundância. Lá em casa, a gente tem um controle bem grande.

PARAR: O que você acha da educação integral? E do homeschooling (ensino em casa)?

MARCOS PIANGERS: Eu acho que quão melhor for a educação nos primeiros anos, mais preparado essa criança vai estar para os próximos. E, consequentemente, menos ela precisa estar na escola. A Finlândia está indo contra toda a lógica de muito tempo escolar, ela está investindo em pouco tempo escolar e pouco dever de casa. E isso resulta em jovens muito preparados. A Finlândia está sempre no topo do Pisa (Programme for International Student Assessment), do ranking da educação mundial, e ao mesmo tempo com crianças muito equilibradas emocionalmente, muito felizes. São crianças satisfeitas com o tempo dedicado ao trabalho, à escola e à família. É interessante ver a comparação com países como Singapura, que realmente investiu bastante em educação e também está no topo do Pisa, mas tem alunos muito mais estressados e taxas de suicídio em idade escolar muito mais altas do que a Finlândia. Acho que é mais saudável a gente ir por esse caminho que prepara bastante as crianças. Precisaríamos de uma revolução, de uma reestruturação da educação brasileira.

Acho que também o homeschooling é uma solução fantástica para personalizar a educação, mas que em um país como o Brasil ia abrir espaço para que os pais simplesmente não colocassem seu filho na escola, por conta do trabalho e de colocar seu filho para trabalhar. Ou para ficar de bobeira em casa vendo televisão, o que não seria nada bom para a economia brasileira nos próximos 20 anos.

PARAR: O que empresas podem fazer para que pais e mães estejam mais presentes em casa e na vida de seus filhos, na sua opinião?

MARCOS PIANGERS: A empresa tem que assumir o seu papel transformador. A gente vê empresas que a gente tanto admira ultrapassando fronteiras, pulando por cima da responsabilidade governamental e revolucionando temas como mobilidade urbana, saúde e educação. Até mesmo exploração espacial ou carros elétricos… toda essa a revolução que tem acontecido no mundo nos últimos anos é uma revolução tecnológica, que não passa por governos. O governo se move de uma maneira muito devagar, de maneira muito lenta.

Então, essa iniciativa privada também tem que tomar a iniciativa de apresentar soluções para a construção familiar e uma tranquilidade familiar na hora que chega uma criança. Existe um ranking mundial chamado Save the Children que avalia o quanto os países recebem bem as suas crianças. É importante que as empresas estejam alinhadas com os critérios de rankings como esse.

Como fez o Spotify, por exemplo, que apesar de ser uma empresa sueca, tem escritórios no Vale do Silício. Assim, todos os funcionários do Spotify têm os critérios da lei sueca, na qual o pai e a mãe tem licença parental de 480 dias. É uma empresa privada, um empreendedor dizendo “cara, eu acredito nisso… eu acredito que isso muda as coisas e eu vou implementar na minha empresa”. Acho que há muito o que fazer e eu acredito que o Brasil não vai mudar pela política. Pelo contrário, o Brasil vai mudar por iniciativas privadas, por empresas que vão fazer o papel do governo. E, claro, por ativistas, que vão transformar e vão conduzir a opinião pública para levar o governo a modificar as leis em prol de um país mais igual, mais justo, mais humano e, principalmente, mais feliz.

💡Pedro Conte

Parar

Postado por Parar

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