“Para Gil Torquato, um dos fundadores do Portal UOL e CEO da UOL Diveo, inovação é sobrevivência”

Inovação é uma palavra recorrente na vida de Gil Torquato. Quando entrou no Grupo Folha, em 1985, não tinha ideia de que estava dando o ponta a pé inicial para ser o protagonista de uma revolução no mercado de comunicação brasileiro. Dez anos depois dessa estreia, o executivo foi convidado a deixar a área comercial e assumir a diretoria de novos negócios. O principal desafio? Colocar em prática um projeto que iria transformar a maneira como o conteúdo era produzido e consumido no Brasil. Estou falando do Portal UOL, hoje, o principal portal em língua portuguesa do mundo com impressionantes 100 milhões de usuários por mês.
A internet engatinhava no Brasil e a informação ainda estava restrita ao universo offline. Para os mais jovens, é difícil imaginar o mundo sem Google ou Wifi, mas, bom, ele existiu e nem faz tanto tempo assim. Para se informar, não bastava dar dois ou três cliques, era preciso aguardar a próxima edição do jornal, a sua revista especializada ou os boletins televisivos. Mas mesmo estando em um mundo ainda muito analógico, isso não impediu que os diretores do Grupo olhassem para frente. Como aquela nova tecnologia iria impactar o seu trabalho e como eles poderiam ser pioneiros nessa revolução.
Foi a partir desse estalo que uma força tarefa foi criada dentro da empresa. A elaboração do projeto contava com dois diferenciais: produzir conteúdo próprio e já nascer no mundo da internet aberta. O que já o diferenciava, por exemplo, da sua grande referência no setor, a America Online (AOL), que não chegava a produzir conteúdo e que ainda viveu o desafio dos browsers fechados.
No começo, eles pegaram todo o conteúdo que já tinham e digitalizaram para que se tornassem acessíveis via internet, criando um volume robusto de informações em diversos segmentos.“Eu diria que desde o início, na nossa concepção, a digitalização era uma coisa inevitável porque, através dela, nós iríamos obter uma maior facilidade na usabilidade de todo o conteúdo. Não só conteúdo jornalístico como conteúdo de games e tudo aquilo que a gente já produzia naquela ocasião”, ressaltou Torquato.
Com o tempo, os conteúdos começaram a ser produzidos já pensando em como eles iam ser consumidos no universo digital. No final de 1996, por exemplo, eles realizaram mais um feito inédito: colocaram no ar a primeira TV na internet do mundo. “Era banda estreita, não era banda larga, mas foi algo impressionante. Foi o começo de algo que hoje é até banal, ter vídeo na internet é uma obrigação”, disse.
O “projeto internet” se tornou o “projeto digital” e até hoje tem grande relevância, se mantendo no Top 10 do mundo em produção de conteúdo e audiência na internet. Como falei no início, inovação é a palavra-chave da trajetória de Gil Torquato e é por isso que ele é, atualmente, o CEO do UOL Diveo, empresa responsável pelo atendimento ao mercado corporativo e o principal braço de inovação do Grupo.
As empresas, de uma forma geral, já estão sendo afetadas pelas intensas transformações do novo mundo. Novas tecnologias e serviços estão tornando a revolução dos negócios um caminho inevitável e inadiável. Para Gil Torquato isso é uma evolução, as companhias não devem enxergar esse cenário como uma ameaça, mas sim como uma oportunidade de transformação. Através do UOL Diveo, ele auxilia empresas a ultrapassarem essa linha da inovação e a reformularem seus negócios. “Nós atendemos mais de 2 mil empresas, das quais 70% do e-commerce brasileiro está conosco, então, imagina a nossa responsabilidade. Nós temos auxiliado os clientes em projetos que têm foco no futuro, mas sem esquecer que olhar para frente não significa deixar de olhar o seu passado, porque muitas vezes é o legado que viabiliza o futuro”, alertou Torquato.
A tecnologia ajuda a acelerar o processo, mas os líderes precisam olhar isso sempre como uma oportunidade. “A gente tem que parar de ter medo do futuro. Desde o começo, nós temos um lema que é o seguinte: ‘Você pode levar uma bronca se fizer alguma coisa errada, mas se você não fizer nada, você vai ser mandado embora’. Incentivamos nosso time e clientes a sempre enfrentarem os problemas de frente para buscar as soluções mais criativas possíveis”, destacou o executivo.
Dois bons exemplos citados por Gil Torquato são a B2W (fusão entre Submarino, Shoptime e Americanas.com) e o Magazine Luiza. “Elas conseguiram mostrar que o novo mundo que já está aí e que ele é muito mais propício para se fazer bons negócios para o consumidor e que, por sua vez, resulta em bons negócios para as companhias”. Na era dos “smart business” é preciso que a transformação comece de dentro para fora, a empresa que conseguir reinventar o coração do seu negócio terá forças para impactar o ecossistema e torná-lo mais inovador.
5 passos para inovar, segundo Gil Torquato:
- Diagnóstico: faça uma análise do mercado que você atua com benchmarking internacional, obviamente em países mais desenvolvidos.
- Identifique os gaps existentes com relação ao mercado analisado na fase do diagnóstico e tente eliminar esses gaps.
- Agora, imagina seu negócio daqui a 5 anos – pesquise e observe as ameaças e oportunidades, trabalhe-as.
- Não tenha medo de mudar o status quo. Se for o caso, crie outra empresa e use ela para fazer essas mudanças.
- Se o caminho desenhado estiver dando certo, faça a migração do “modelo antigo” para o “modelo novo”.
O importante é seguir esses passos constantemente!
💡 Karina Constancio